
O governador Roberto Cidade (União Brasil) divulgou a existência de 43 ofícios enviados ao governo federal desde o fim de julho para solicitar apoio financeiro, equipamentos e aeronaves destinados ao enfrentamento da seca extrema e das queimadas no Amazonas. A apresentação dos documentos ocorreu após questionamentos sobre as medidas adotadas pela administração estadual para lidar com a crise ambiental.
A mobilização federal foi anunciada neste sábado (10) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que confirmou o envio de 290 brigadistas e seis aeronaves para reforçar as operações no estado. Os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, também foram mobilizados para acompanhar as ações.
A fumaça dos incêndios tem atingido Manaus e comprometido a qualidade do ar. Em pronunciamento nas redes sociais, Lula informou que conversou com Roberto Cidade por telefone e assegurou que a União atuará no combate aos focos de incêndio.
O presidente afirmou que o objetivo é ampliar a capacidade de resposta das equipes e reduzir os impactos da emergência sobre a população. Ele também declarou que o governo federal fará o necessário para auxiliar no controle das queimadas.
Cidade afirmou que as solicitações de ajuda começaram antes do anúncio presidencial. O governador lembrou que esteve em Brasília em 10 de agosto para discutir os efeitos da crise climática e buscar medidas conjuntas com o governo federal. Em 21 de setembro, também decretou situação de emergência para permitir a adoção de providências relacionadas à estiagem.
Entre os pedidos encaminhados em 7 de agosto, estão solicitações de R$ 80 milhões ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e de R$ 50 milhões ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, ambos destinados à Operação Estiagem 2026.
O governo estadual também solicitou recursos para atender 250 mil famílias em situação de vulnerabilidade afetadas pela seca. Outra demanda envolve o pagamento de quatro parcelas adicionais do Seguro Defeso a pescadores artesanais. O pedido foi encaminhado aos ministérios responsáveis e precisou ser reiterado em 21 de setembro.
Pedido de apoio aéreo foi formalizado em setembro
A necessidade de aeronaves para combater os incêndios foi registrada em um documento enviado em 18 de setembro pelo comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Ximenes Muniz, ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
O Ofício nº 3524/2026 solicitava quatro aeronaves com capacidade para transportar 3,2 mil litros de água cada, distribuídas entre Manaus e Humaitá, além de um avião Bandeirante com capacidade para transportar até 21 integrantes das equipes de combate ao fogo.
O comandante justificou a necessidade do suporte aéreo pelas dificuldades de acesso às áreas atingidas, especialmente em razão das grandes distâncias, da falta de rodovias e da redução dos níveis dos rios.
“O vetor aéreo deixa de ser apenas complementar e passa a constituir recurso essencial”, registra o documento, que também relembra um pedido feito em maio de 2024 para a disponibilização de um avião Air Tractor.
Em 21 de setembro, o Corpo de Bombeiros solicitou uma reunião com o ministro da Justiça e Segurança Pública para tratar do assunto, com previsão de realização até a primeira quinzena de outubro.
Enquanto busca ampliar o suporte aéreo, o governo estadual mantém a Operação Amazonas Mais Verde, que reúne mais de 600 bombeiros militares e 144 viaturas, além de brigadistas que atuam nos municípios do interior.
Roberto Cidade afirmou que as equipes trabalham continuamente para combater os incêndios em Manaus e nas demais regiões do Amazonas. O governador também pediu que moradores evitem práticas que possam provocar queimadas, ressaltando que até mesmo um foco pequeno pode causar grandes prejuízos à população.







