
Em uma coletiva explosiva nesta segunda-feira (23), o Prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), partiu para o ataque. Acuado pela prisão de sua assessora de confiança, Anabela Cardoso Freitas, ele não só a defendeu com unhas e dentes, como alegou estar sendo vítima de uma “armação” orquestrada por seus adversários políticos.
O clima esquentou ainda mais quando ele foi questionado sobre a Operação Erga Omnes, que desarticulou um núcleo político do Comando Vermelho (CV) no Amazonas. O que chama a atenção, e o prefeito fez questão de ressaltar como prova de “perseguição”, é que a ofensiva não ficou restrita à Manaus.
A operação teve um braço forte vindo de fora do estado, com apoio integrado de polícias de outros seis estados (CE, MA, MG, PA, SP e PI), o que indica que as investigações sobre o elo entre a prefeitura e o tráfico ganharam uma dimensão nacional que o Prefeito de Manaus tenta rotular como “manobra eleitoral”.
“Isso é para tentar fazer eu adiar esse lançamento aqui”, disparou o prefeito, visivelmente irritado, sugerindo que o timing da operação foi calculado para prejudicar seus planos políticos. A coincidência da data com o aniversário de Pinóquio dá ao episódio um ar quase simbólico sobre promessas e versões da verdade, uma vez que o personagem é conhecido por mentir e ter seu nariz aumentado a cada mentira.
A declaração mais polêmica, no entanto, veio quando o prefeito foi confrontado sobre o custeio da defesa da assessora. Sem hesitar, David Almeida admitiu que está disposto a usar o próprio bolso para proteger a aliada, que é acusada pela polícia de movimentar mais de R$ 1,5 milhão para o crime organizado.
“Ela tem assessoria pessoal, mas se ela precisar de ajuda, eu pago”, afirmou o prefeito. A fala caiu como uma bomba, já que Anabela é funcionária de extrema confiança de David desde 2017, época em que ele presidia a Assembleia Legislativa. Para muitos, a promessa de pagar advogados para uma investigada por ligação com o tráfico soa como um “atestado de desespero” ou uma tentativa de manter o silêncio de quem sabe demais.
Enquanto a polícia suspeita que o serviço público na capital amazonense esteja sendo aparelhado pelo tráfico, David Almeida já prepara sua saída. O prefeito confirmou que será candidato a governador e deve renunciar ao cargo até o dia 4 de abril.

Resta saber se a estratégia de se dizer “perseguido” e bancar a defesa de quem está na mira da polícia será suficiente para conter o desgaste de uma gestão que, agora, está sob os holofotes de investigações que atravessaram as fronteiras do estado.





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