
O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A medida amplia os efeitos da liquidação do Banco Master, instituição controladora do banco digital, determinada em novembro de 2025, e encerra de forma definitiva as atividades do Will Bank no Sistema Financeiro Nacional.
A decisão foi assinada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com base na avaliação de que a situação econômico-financeira da instituição se tornou irreversível. De acordo com o regulador, pesaram para o ato a insolvência do Will Bank e o vínculo de controle exercido pelo Banco Master, que já se encontra sob liquidação extrajudicial.
Desde novembro, o Will Bank operava sob o Regime de Administração Especial Temporária, mecanismo utilizado para manter o funcionamento da instituição enquanto se buscava uma solução, como a venda do controle. À época, havia expectativa de interessados no negócio, hipótese que não se confirmou. O cenário se agravou após o banco deixar de cumprir pagamentos no sistema de cartões, o que levou a Mastercard a bloquear sua participação no arranjo e a executar garantias associadas às dívidas.
Com a decretação da liquidação, todas as operações do Will Bank foram interrompidas e a instituição foi retirada do Sistema Financeiro Nacional. Os Certificados de Depósito Bancário emitidos pelo banco passam a contar com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitado o limite de até R$ 250 mil por CPF. O Fundo já iniciou, nesta semana, os pagamentos relacionados aos títulos do Banco Master, processo que envolve centenas de milhares de investidores.
O Banco Central nomeou a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda. como liquidante da Will Financeira, a mesma responsável pela condução da liquidação do Banco Master. Também foi determinada a indisponibilidade dos bens dos controladores e de ex-administradores da instituição, incluindo pessoas físicas e holdings vinculadas ao grupo.
Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre de 2025 com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões, conforme dados do próprio Banco Central. Em setembro, a instituição mantinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não possuía depósitos à vista.
Em nota, o Banco Central afirmou que a liquidação se tornou inevitável diante do agravamento do quadro financeiro. A autarquia destacou que a solução inicialmente avaliada não avançou e que, em 19 de janeiro de 2026, houve o descumprimento da grade de pagamentos junto à Mastercard, resultando no bloqueio da participação do banco no arranjo de pagamentos.
A autoridade monetária informou ainda que seguirá apurando responsabilidades e que os resultados das investigações podem levar à aplicação de sanções administrativas e à comunicação do caso aos órgãos competentes, conforme previsto na legislação.







